quinta-feira, 1 de junho de 2017

Rufus Wainwright, Theatro Circo, 31 de Maio de 2017


Inserido no ciclo “Respira! – O piano como pulmão” promovido pelo Theatro Circo, Rufus Wainwright apresentou um concerto único nesta sala bracarense completamente esgotada. Sem formato banda, apenas alternando a utilização de um piano com uma guitarra acústica. Esperava um alinhamento baseado nos primeiros discos de estúdio, esquecendo as últimas incursões pela ópera, pelos sonetos de Shakespeare e por Judy Garland e foi isso mesmo que aconteceu.

Agnus Dei” (de Want Two) teve as honras de abertura do espectáculo, revisitando de seguida os 7 álbums de estúdio (com excepção do disco menos conseguido de 2010, All Days Are Nights: Songs for Lulu), ora cantando com uma guitarra na mão, ora se sentando no piano para apresentar o próximo tema. “This Love Affair”, “Out Of The Game”, “Grey Gardens”, “Jericho”, “In My Arms” (aqui enganou-se na letra o que levou à gargalhada geral e a um forte aplauso) sucederam-se num ambiente bastante intimista. Wainwright mostrou-se muito comunicativo com o público. Referiu-se por duas vezes à cidade de Braga: quando visitou "umas 5 igrejas" e quando se deslumbrou com o Bom Jesus. Tentou, com sucesso, a comédia quando contou a sua recente passagem pelos arredores de Barcelona e pelo momento em que recebeu uma massagem de um profissional que não dominava a língua inglesa e que lhe pediu para “inspire” e “expire” (inhale, exhale) e que também lhe perguntou “Do you like depression?”…


O artista emocionou-se quando apresentou uma cover de Lhasa de Sela (falecida em 2010), a magnífica “I’m Going In”. Houve ainda tempo para apresentar uma nova canção “The Sword Of Damacles” que “soon will be released”, contando previamente que foi inspirada por uma amiga francesa chamada Bernardette. Anunciou que irá apresentar a sua primeira ópera Prima Donna na próxima semana em Paris e que já está a preparar a próxima ópera baseada no imperador Adriano.

Sem grande surpresa as últimas quatro canções foram: “Cigarettes And Chocolate Milk”, “Going To A Town” (a mais ovacionada da noite), “Hallelujah” (original de Leonard Cohen) e, surpreendentemente, encerrou a noite com “Poses”, do disco com o mesmo nome que verdadeiramente celebrizou Wainwright como compositor (nesta última interpretação voltou a esquecer-se da letra – “it’s getting late”, justificou o homem). Agradeceu e elogiou o público bracarense: "What a discovery!".

Rufus Wainwright provou que o artista é um bom artista, mostrou uma das suas facetas mais fortes, a de cantautor sozinho ao piano ou à guitarra, longe das orquestrações pomposas que costumam marcar presença nas suas canções. E tão cedo não se apagará esta actuação nas mentes de quem a presenciou.

2 comentários:

Glória Pires disse...

Aiiiii que inveja!!
Adoro “Cigarettes And Chocolate Milk". Ouço e ouço e ouço.

Bjnhs

C. Barros disse...

A "Cigarettes" é fantástica, sem dúvida. O Rufus já tem um conjunto impressionante de boas canções que dava para tocar durante horas. A voz do homem ao vivo é impressionante e a sala do Theatro Circo é excelente. Ainda me recordo da inauguração da sala actual, ao som de Antony & The Johnsons (outra voz que até arrepia!).
Beijinhos